Instant Street

Friday, February 04, 2005

noite suja

o barulho da dor.pedras frágeis castigadas na solidão.o fim da dor encontra seu começo cíclico,nada nunca se desfaz,os ponteiros rodam movidos pelos meus olhos cansados.
no tempo perdido entre as folhas que apodrecem aos meus pés,nas flores que desbotam suas cores e suas tragédias:tudo entre meus dedos,lá reside meu pensamento.
as quedas d'agua,os rios que retrocedem,o vapor que sobe pedoado.minha cabeça estoura e desmonta minha ordem,meus dogmas queimados no calor das frases óbvias.sinto o frio dos desmemoriados,sinto o vazio dos filhos mortos,vazio quente de chuva violenta.
as solas grossas tateiam as frestas,encontram tocas,cavocam cimento.no muro palavras desconhecidas hipnotizam animais civilizados.se foram as aves e as risadas.pestanas se abre varrendo o mundo:agora só restaram pó seco e estéril,caveiras guiadas pelo sopro do sol e uma flor azul.


charlie parker::the song is you